Antre canas e canicas

Antre canas e canicas

Antre canas e canicas
Linda auga bai nacer
Menina que estais na fonte,
Querga-me dar de bober!
A púcara está cobrada
‘stá tocada à
Oh quem tubira dai dita,
De dar auga a tal senhor!
– Teneis o corpo bem feito,
E as pernas assi serão?
Dai-me licença, menina,
Para ber se sim ou não;
– Licença bós a teneis,
Mas agora ainda não;
Não sei se sereis o home
Que me ha-de poner a mão.
– Eu à mão nun bo-Ia pongo.
Tão pouco bulo conbosco,
Solo em estar ao pé de bós,
Nisso lebo grande gosto.
– Se nisso Ihebais grande gosto

Gostai por bias da bossa,
Esta rosa que eiqui ‘stá,
É d’outro que não é bossa.
– Isso q’ria eu saber.
Já bou tchamar bosso pai,
Que bos benha a receber.
– O meu pai não é tchamado
Por cousa tão escusada,
Inda sou muito nôbica,
E nun sei gobernar casa.
– Outras mais nobas que bós
Gobernam casa e marido,
Quererieis bós casar comigo?
– Mais queria ser rosa branca
Posta naquele outeiro,
Doque ser enxubalhada
Pur tão reles cabalheiro,
– Mais q’ria ser crabo roixo,
Anxertado na raiz,
Que casar cuntigo, rosa
Que fuste de quem te quis.