Danças Mirandesas – Ligas Berdes ou Habas Berdes

Danças Mirandesas - Ligas Berdes ou Habas Berdes

Esta dança era conhecida pelos dois nomes, há mais de setenta anos. É já citada por autores antigos que tratam de coisas mirandesas, nos princípios deste século, como José Maria Neto e julgo (A. M.) também pelo Albino Morais Ferreira. Era comum a toda a terra de Miranda e sobreviveu em Duas Igrejas, até ao presente (1981). Como se observará, a letra, é ora em mirandês, ora em português.

É uma dança paralela, ou de coluna que termina cada volta com um embater de nádegas dado por cada par dançante.

              Ligas, ligas, ligas berdes,
              Bien las beio berdegar (1)
              No palácio de meu pai,
             Quem me dera de lá Star(i)!    – BIS

Estribilho

              Toma-las alhá!
              Toma amor las ligas berdes!
              Toma-las alhá! (1)
              Dá-las tu a quie tu quergas,
              Q’ a mi nada se me dá (2).

Fig. 1 - Música das Ligas Berdes ou Habas Berdes
Fig. 2 - Prestes a iniciar a dança das Ligas Berdes
Fig. 3 - Exaltação de picado em preparação para a costelada ou embate de nádegas
Fig. 4 - Dançam frente a frente, ao mesmo tempo que cantam:
Fig. 5 - Remate final. Cantam: Dá-las tu a quem quergas, qu'a mi nada se me dá.

Antóninho crabo roixo,
Cara de leite coado;
Foste-te a gabar ao Porto,
Que me tinhas dado urn crabo.

– Toma-las alhá! etc.

Não foi cravo não foi rosa,
Foi um lencinho bordado.
Numa ponta tinha a lua,
Noutra tinha o sol dourado.

– Toma-las alhá! etc.

Chameste-me Mira, Mira,
Yöu nu söu de Mirandela;
Söu de Miranda de Trás-dels-Montes,
Dües Eigreijas, la mie tierra.

– Toma-las alhá! etc.

Chamestes-me Mira, Mira…
Yöu nu söu de Miramar(i);
Söu de Miranda de Trás-dels-Montes,
Dües Eigreijas, miu lhugar(i) (3)

– Toma-las alhá! Etc

Ligas berdes e bailado saltitante num ritmo binário, Os elementos de cada par primeiro aproximam-se, depois afastam-se, para de novo se aproximarem e voltarem a afastar-se, segue-se nova aproximação em que bailam frente a frente num saltitar repicado, que termina por um estacado súbito batido a pés juntos, logo seguido de bailado em marcha saltitada com três passos à esquerda e três passos à direita, rematados por meia volta com embate de nádegas.
Vimo-la (S. J.) dançar a primeira vez em S. Pedro da Silva, em 26 de Setembro de 1957 por dois pares, em que os elementos femininos eram duas simpáticas velhotas, Mariana da Piedade Esteves de 68 anos e Teresa Ramos de 70 anos, e que bem e animadamente elas dançaram!

Iniciaram a dança em roda, de mãos dadas, sobre a direita, depois de braços levantados e numa espécie de peneirado, rodando o corpo ora à esquerda ora à direita.

(1) Aqui todos os dançantes fazem um estacado súbito com forte bater de pés.

(2) Meia volta rápida com embate das regiões nadegueiras.

(3) Variante do mesmo tema e a quadra seguinte: Chamaste-me Mira, Mira, / Eu não sou de Mirandela. / Sou de Miranda de Trás-os-Montes, / Duas Igrejas é mi tierra.