Danças Mirandesas – O Redondo

Danças Mirandesas - O Redondo

O Redondo é um bailado paralelo quase exclusivo da povoação de Ifanes, onde se dançava somente na tarde e noite de 25 de Novembro, festa de Santa Catarina, junto da grande fogueira no meio do grande terreiro da aldeia.
Dançavam homens e mulheres casados, rapazes e raparigas solteiras, ora só cantando, ora ao toque de gaita de fole, do tamboril e do bombo.
Este bailado tinha como caracteristica o grito hô … !
Este brado era gritado alto no acto da nalgada, em que o homem e a mulher de cada par embatiam com certa violência as regiões nadegueiras. O grito era dado pelo chefe da dança como sinal para o embate do fundo das costas.
No trespasse cruzam-se as filas, passando cada uma para lugar da outra. O desenho coreográfico sobrepunha-se aos passos dos outros bailados paralelos ou de coluna.
Pode dizer-se que o redondo foi para a cova com o já citado José da Igreja, por alcunha o Zé da Gaita, falecido há anos.
A música foi recolhida por Michel Giacometti, em ifanes em 1956, e editada em disco em 1960 pelo Arquivo de Estudos Portugueses-Antologia da Música Popular Portuguesa-Trás-os-Montes.
Ao dançarem o Redondo era habitual cantarem a seguinte quadra.

Nós daqui e vós daí
Sodes tantos como nós.
Mataremos um canhono,
Os cornos são para vós.

Outras quadras sem terem significado especial, digamos, qualquer quadra, vulgar e corrente, era cantada ritmando os passos da dança.

Os bailados repasseados mirandeses constituem um grupo de danças, mais de uma dúzia, são uma das mais puras, senão a mais pura, expressão mesológica na variada e rica coreografia popular mirandesa.
Os repasseados constituem uma verdadeira familia de danças que se executam em grupos de 4 dançantes, ou seja, cada grupo formado por dois pares, ao toque da gaita de fole, flauta pastoril, tamboril, bombo, pandeiro, e ferrinhos. Muitas vezes com acompanhamento apenas de alguns destes instrumentos e de assobio pastoril.
O repasseado e um tipo de bailado de terreiro que pode considerar-se como autêntica dança agrícola rural, cuja música deve remontar ao seculo XVII, ou talvez mais atrás.
A letra dos vários repasseados, de que as geriboilas constituem, provavelmente, o núcleo primordial e castiço, é em redondilha menor, de puro dialecto mirandês.
Na série dos repasseados mirandeses citaremos os seguintes: As Geriboilas, Fui-me a confessar, Balentim trás trás ou Só quero Balentim, Verde gaio, Solidana, Madre abadessa, Para namorar marena, Maripum, etc.

(1) Pelos autores (Prof. Santos Junior e P.e Dr. Antonio Mourinho) foi feita uma comunicação no anfiteatro de Zoologia da Faculdade de Ciências do Porto, em sessão cientifica da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, no dia 16 de Fevereiro de 1963, subordinada ao titulo Bailados repasseados de Terra de Miranda. O Prof. Santos Júnior aludiu à estreita colaboração de há anos com o P.e Dr. A. Mourinho, que permitiu e condicionou estudos em conjunto de vários aspectos do folclore do leste trasmontano.

Fez depois considerações sobre a dança como manifestação séria do modo de ser e de sentir dos povos, nas suas várias modalidades, e sua evolução histórica. Descreveu as geriboilas típico bailado repasseado mirandês, com os desenhos coreográficos respectivos, do repasseado, de trespasses e do contrapeado. Projectou fotografias e fez ouvir a música, que registou em Duas Igrejas em fita electromagnética.

Em seguida o P.e Dr. A. Mourinho tomou como base as geriboilas, «expressão mesológica das mais puras na variada coreografia mirandesa, autentica dança agricola rural, cuja música remontará ao séc. XVII». Descreveu alguns bailados repasseados, como Fui-me e confessar, Só quero Balentim ou Balentim trás-trás, Verde gaio, etc., comparativamente com as geriboilas, incluindo os repasseados de terreiro ao toque da flauta pastoril, do tambor, da gaita de fole, caixa e bombo, «que foram e são ainda a verdadeira e lidima expressão da dança mirandesa». Citou um grande número de danças hieráticas, de cunho sagrado, que em Espanha se dedicam à Sagrada Escritura, à Mãe de Deus, ao Apostolo Santiago e outros santos e em Terra de Miranda glorificando a Virgem Maria, e o Santíssimo Sacramento.