Danças Mirandesas – Verde Gaio

Danças Mirandesas - Verde Gaio

Bailado repasseado colhido em Duas Igrejas, em 1945.
A letra deste Verde Gaia, pelo menos a 1.a quadra é geral em todo o pais. Assim a canção do Verde Gaio, existe no Alentejo, na Extremadura, nas Beiras, no Minho e em Trás-os-Montes.

Figura 1 - Música do Verde Gaio

A música deste nosso bailado, cantada a duas e três vozes, bem parece um coral minhoto cheio de vida. Por este e outros motivos, se nos revela que esta Terra de Miranda foi ponto de encontro de canções e bailados populares de muitas gentes de Portugal e de Espanha, afluindo a este recanto Nordeste, encravado entre as Serras de Mogadouro e da Senábria e os rios Sabor e Douro. Gentes desta zona saíam em busca de vida, a trabalhar, no tempo das ceifas, para terras de Zamora, Salamanca e Burgos, e de lá traziam novas canções populares castelhanas e leonesas. Outros iam para Andaluzia, para a apanha da azeitona, e outros para as vindimas no baixo Douro.
Da Galiza, vinham as amoladores, os peneireiros e os pedreiros com suas familias, que traziam seus costumes, suas canções, seus instrumentos musicais e seus bailados.
Do Minho, vinham as serradores em grande número que também traziam seus corais e seus bailados; por isso, não sabemos se este nosso Verde Gaia será uma versão mirandesa do Verde Gaia portugues, se a versão de urn Verdegar minhoto.
A coreografia, aferida pela Giriboilas e pela Solidana, é um puro e tipico repasseado mirandês muito vivo e movimentado; rematado no fim do estribilho com um saltado de forte, uníssono bater de pés juntos, como se verifica com outros repasseados.
O canto é ligeiro como indica a música da Fig. 1 que é tocada pelo número variavel de instrumentos, e sempre pelo bater do tamboril, do bombo ou do pandeiro e pandeireta.
E com frequência acompanhada pelo assobio pastoril.
A letra com que, habitualmente, cantam o Verde Gaia, em Duas Igrejas é a que segue:

O verde gaio é meu
Que me custou meu dinheiro;

Estribilho
É do verde gaio,
Toma lá, toma lá!
É do verde gaio
Toma lá dá cá!
Custou-me quatro vintens,
Lá no Rio de Janeiro! ..
E da verde gaio, etc.
Na Rua Direita do Porto,
Mataram a Manuel,
É do verde gaio, etc.
Com uma pistola de prata.
Oh que morte tão cruel!
É do verde gaio, etc.
Na Rua Direita do Parto,
Mataram a Mariana
É do verde gaio, etc.
Com uma pistala de prata
Oh que morte tão tirana! …
É do verde gaio, etc.

O Verde Gaio é dança corrente em muitas aldeias portuguesas, com as naturais modalidades. Pode dizer-se que se encontra de norte a sul do país. É pois dança popular muito generalizada.
Em boa hora a prestigiosa e benemérita Fundação Calouste Gulbenkian meteu no seu programa de bailados o «ballet» do Verde Gaio, num requinte e apuro de exaltação artística, que tern sido muito justamente apreciado.
Aliás já esta dança havia sido lançada no «ballet» nacional pelo Secretariado Nacional de Informação.