Manhana de San Joan

Manhana de San Joan

Manhana de Sã Joan
Pela manhã do albór
Quando o trigo está bagado
E o binho está em flór;
Todos os criados bão
Bisitar o ser Senhór.
Só eu sou triste, coitado,
‘stou aqui nesta prisão,
Não sei quando é o dia,
Nem quando arraia o sol,
Se não são três passarinhos
Que se cantam no albór:
Uma é a cotobia,
Outro é o rouxinol,

Outra é a calhandrina
Que é a que canta melhor.
Numa manhã de geada,
Matou-a um caçadór.
Deus te dê seu galardão!
Se a mataste pela pluma,
Não enchias um colchão.
Se a mataste pela carne,
Não pesaba um quarteirão.
Mandaram-na abaluar,
Por dois homens de rezão:
Todo o seu corpinho junto,
Puseram-no em meio tostão.