Oliveira do pé d’ ouro

Oliveira do pé d’ ouro

Oliveira do pé d’ ouro
Deita galhadas de prata
Só te pido, meu amor,
Que m’ escrevas uma carta.

A carta que eu te escreva
Sai-me da palma da mão,
A tinta sai-me dos olhos
A pena do coração.

No alto daquela serra
Onde se tece a cambraia
Quem ‘stá limpo não se suja
Antes que na terra caia.

Da minha janela bêjo
A Senhora da Saúde
Que te tire do sentido
Quem me quis lograr não pude.

Ripai a folha ao olmo
‘scutai bem o que ela diz
Ninguém se finte nos homens
Sem serem seus de raiz.

A fôlha do olmo branco
Parece uma tenda armada
Bem o vento bira a fôlha
Fica a tenda desarmada.

Meu amór, se bires caír
Fôlhas berdes na baranda
Olha que são suidades
Que o meu coração te manda.